Pesquisar neste Blog

Mostrando postagens com marcador pirão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pirão. Mostrar todas as postagens

sábado, 7 de janeiro de 2012

A Mandioca é a raiz e o Pirão é Pernambucano.

A Mandioca é a Raiz e o Pirão é Pernambucano.
Por Roberto Mariz

Não é novidade para ninguém no Brasil que nós do Norte e Nordeste somos chegados a uma farinha de mandioca. Pois bem! O que talvez vocês não saibam é que a mandioca e a sua versão não venenosa, a macaxeira, tem grande importância para a configuração do que vem a ser a culinária pernambucana. Também não sabia. Descobri esta informação lendo o “delicioso” livro Recife – guia prático, histórico e sentimental da cozinha de tradição (ou de como se dar bem no reino da peixada, do sarapatel e do caldinho) de Bruno Albertim.


No Brasil colônia, nas cozinhas do engenho faltava o trigo, base para o pão que acompanhava as sopas e caldos da cozinha portuguesa. Na época, a logística de transporte via caravelas inviabilizava o consumo diário do pãozinho de cada dia sendo substituído pela farinha de mandioca dos índios, utilizada para engrossar suas açordas, resulta no nosso tradicional pirão. Para Gilberto Freyre é a mais brasileira das nossas receitas.


A verdade é que a farinha de mandioca faz parte da nossa história, de nossa identidade. Comer feijão sem farinha é quase um crime. Imaginar uma peixada ou um cozido sem o pirão é o mesmo que tirar o som da tuba no frevo ou o surdo do samba. Até mesmo o churrasco Gaúcho fica meio esquisito sem uma farofinha.


É como diz Bruno Albertim “A farinha cabocla das aldeias, unida as tradições ensopadas de fogão do colonizador. Depois, o tempero e retempero da mão africana. Os três principais elementos da decantada miscigenação brasileira fervendo em caldo espesso para a construção de uma das cozinhas ancestrais do País, base da mesa nacional. Ao adotar o alimento dos índios, o colonizador se deixa colonizar, á mesa, pelo colonizado. A mandioca é a espinha dorsal da mesa pernambucana. Com ela, tem início nossa cozinha, nos engenhos da antiga capitania, o Brasil se fez um país de farinha e pirão.”