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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Filmes ao Ar Livre e sem Curadoria - Cultura no Recife

Por : Shirley Hunther - Coordenadora de Comunicação da FEPEC
Fonte : e-mail Divulgação enviado para a N'ativa 





Pela décima primeira vez o Cine Chinelo NoPe exibe filmes curta-metragem ao ar livre nas sessões caldo de cana.
 
O Cine Chinelo NoPE aporta o Recife Antigo para mais dois dias de sessões de curtas-metragens. Este ano, as sessões acontecem nos dias 02 e 03 de dezembro, na Rua da Alfândega. A já consagrada Sessão Caldo de Cana tem início às 20h e como é de costume, as pessoas que quiserem exibir os seus filmes precisam entregá-los entre às 17h e 19h, no Bar do João, na Rua da Moeda que estará sinalizado com um banner do evento no local de entrega. Após a sessão do dia 02, uma banda sem nome formada por olindenses fará um show instrumental. O nome da banda será criado durante o evento, tornando o show ainda mais integrado ao conceito caldo de cana. Já no dia 03 se apresentam Wassab com sua sonoridade visual e, fechando a noite no palco caldo de cana, o potiguar Sonic Junior dispara energia em waveform pelas caixas.
O Cine Chinelo NoPE consiste na exibição de produtos audiovisuais produzido, mais expressivamente, em Pernambuco. No entanto, a democrática estrutura de inserção do filme deixa sempre no ar a possibilidade de exibição de filmes de qualquer estado do Brasil e até do mundo, como já ocorrido em edições anteriores, em que foi exibido o filme Chain, realizado em Los Angeles pela carioca Ana Costa Ribeiro. Como é feito a mais de 7 anos, as pessoas levam os seus filmes e disputam amigavelmente espaço nos 150 minutos de exibição disponíveis diariamente. Não há curadoria, os filmes serão exibidos sem mesmo que a produção do festival conheça. Segundo o Coordenador Geral da Mostra, Gê Carvalho, "existe uma relação suygeneres entre o Cine Chinelo NoPE e os realizadores pernambucanos. A confiança na produção dessas pessoas é o que até hoje nos estimula a fazer o evento e o espaço é disputado numa boa porque prezamos pela qualidade da exibição mesmo tendo tantas variáveis externas incontroláveis, como por exemplo, carros e ruídos. O público é muito especial, e isso também chama a atenção dos realizadores para o Cine Chinelo NoPE".
Os vídeos são recebidos entre as 17h e 19h ou até o fechamento da sessão, que totaliza cento e cinquenta minutos por dia (150 minutos). Como não há curadoria prévia que determine o que será visto pelo público, os realizadores dos vídeos e seus espectadores são os curadores da mostra, para que o festival permaneça com o seu caráter livre e democrático.
Enquanto são exibidos os filmes, acontece o “Livre Registro”, documentário filmado espontaneamente pelo público presente em cada exibição e posteriormente montado, editado e distribuído pela produção do Cine Chinelo NoPE.
Recife é hoje um grande canal de desague de produções cinematográficas, tendo pernambucanos como referência mundial e o título de “melhores realizadores-cineastas do Brasil”. A produção independente também é crescente, isso ficou comprovado após dez edições do Cine Chinelo NoPE, cujo o evento exibiu aproximadamente 400 filmes ao longo de suas realizações, e em sua última edição foram exibidos 32 curtas-metragens, totalizando um pouco mais de 300 minutos de projeção. Assim como no ano passado, o evento é transmitido via streaming, através da internet. A transmissão será ao vivo, para todo o mundo e com acesso livre, podendo assim, impulsionar cada vez mais a visibilidade da mostra e seus incentivadores.
Além do reconhecimento geográfico, o Cine Chinelo NoPE também oferece uma premiação em parceria com a Federação Pernambucana de Cineclubes (FEPEC). O “Prêmio Melhor Filme para Reflexão” será julgado por três cineclubistas filiados à FEPEC. Como na edição anterior, os realizadores podem ser congratulados pelo empenho em realizar obras que estimulem os questionamentos, debates e, consequentemente, formação do público.
Essa premiação possui um troféu especifico, produzido pela FEPEC. Além do prêmio, todos os realizadores que exibirem seus filmes podem disponibilizá-los para exibições em cineclubes filiados à entidade que representa a atividade no estado. Sendo possível um maior escoamento das obras, fazendo com que os filmes atinjam um público que não esteve presente no Cine Chinelo NoPE, a exemplo de moradores do interior do Estado de Pernambuco.
Já para aqueles que chegam ao Recife Antigo desavisados do grande acontecimento, o público poderá contar com o auxílio dos flanelinhas, identificados com o colete do festival para obter informações básicas sobre o evento e estacionamento no local.

HISTÓRIA – Como Surgiu o Cine Chinelo NoPE
O Cine Chinelo surgiu enquanto o pernambucano Gê Carvalho (Galego) morava em Niterói (RJ) como uma brincadeira para o então novo ciclo de amizade criado naquela cidade. No evento, quando feito entre quatro paredes, o público era composto por amigos e optavam por entrar de chinelo ou pagar uma prenda “cinematográfica-teatral” após a sessão.
A primeira vez no Recife, o Cine Chinelo, que ganhou o complemento “NoPE” para identificar e distinguir o novo núcleo “cine chinelesco”, aconteceu na garagem do edifício sem nome e sem número, em Candeias, onde morava o então idealizador. Um telão, um projetor e uma caixa de som fizeram muita gente parar numa rua qualquer, toda esburacada, para ver filmes de realizadores pernambucanos.
Após seis anos de realizações, na agitada Rua da Moeda, o Cine Chinelo NoPE é realizado hoje na Rua da Alfândega, no bairro do Recife Antigo por entre mesas, cadeira, amigos e ideias surgidas entre um filme e outro. O Cine Chinelo NoPE já é um evento esperado e desejado pelos realizadores de vídeos independentes, pelo público em geral, pelos donos de bares daquelas mediações e até por quem ainda nunca sentou numa cadeira ao ar livre e degustou o sabor de assistir, discutir e conhecer mais sobre cinema, de chinelo no pé.
O Cine Chinelo NoPE surgiu da reflexão que existe do potencial pernambucano para o audiovisual e que inspira constantemente o cenário independente. Tais obras são inspiradoras para aqueles que adquirem uma câmera digital e saem pelas ruas filmando sua cidade, seus costumes, seus medos, suas necessidades, suas ideias. No entanto, a maioria desses filmes são realizados e guardados nas gavetas ou no máximo, exibidos para os amigos e familiares. Já que os canais abertos de televisão possuem pouco espaço para à produção de audiovisual nacional, e quando se trata de filmes curtas-metragens independentes este espaço fica ainda mais restrito. Por isso, o Cine Chinelo NoPE firmou-se como canal de veiculação dessas produções, onde todos os anos o público  se programa para conhecer o que há de novo nos olhares pernambucanos.

Contato:
Shirley Hunther – Assessoria de Imprensa
Contato: (81) 8896-5932 ou 9846-3476 - shirleyrpj@gmail.com

Entrevista:
Cine Chinelo NoPE
Gê Carvalho –Coordenador Geral da Mostra
Contato: (81) 9927-9598

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

É a Tampa do Quirrimboque..

Por: Roberto Mariz


Esta semana tive a notícia de que havia sido lançado o primeiro CD do mestre de coco-de-roda e griô Zeca do Rolete - Saibam da minha alegria.

Conheci o Seu Zeca numa sambada de coco-de-roda no bairro do Guadalupe em Olinda/PE. Naquela noite já haviam cantado alguns mestres e mestras e, confesso, estava com as pernas em frangalhos de tanto “coquear”, aquela altura havia me rendido a cadeira e a cerveja gelada. O anúncio do mestre Zeca do Rolete não me chamou a atenção, estava distraído com o papo na mesa onde tratávamos de resolver os problemas do mundo...Aí o tambor começou a bater e veio o verso - “Quero saber o que é / Eu quero saber o que é /É a tampa do quirrimboque/É um chifre de bode/ Com um bocado de rapé/.... A aquela batida de pulsação forte associado a rítmica poética e o carisma do seu Zeca me fizeram esquecer dos problemas do mundo, não resisti – caí na roda.


Terminei a noite dividindo copos com seu Zeca e voltamos para casa juntos, pois descobri que ele era meu vizinho, morava no bairro do Tururu em Paulista/PE. Daquele momento pra cá, estreitei a amizade com Seu Zeca e também com a sua família que o acompanha nas apresentações.As conversas com seu Zeca sempre me enchem de sabedoria. Suas vivências e histórias são carregadas de conhecimentos adquiridos nos seus 68 anos de vida e expresso em suas músicas, que relatam fatos de seu cotidiano observados por seu olhar crítico e ao mesmo tem inocente daquela criança que teima em não envelhecer.
Seu Zeca do Rolete é muito mais que um “Tampa de Crush” é um “Tampa de Quirrimboque” da cultura popular.

Parabéns Seu Zeca do Rolete, o CD está duca..!

sábado, 17 de setembro de 2011

Rinocerontes tomam as ruas da Cidade de São Paulo !

Rinocerontes a solta pelas ruas de São PauloPor Roberto Mariz

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A partir do dia 20 de setembro São Paulo e mais 11 cidades brasileiras serão transformadas em savanas urbanas onde coloridos rinoceronte alegrarão a paisagem. É a “Rino Mania“, exposição a céu aberto, reunirá 60 peças criadas por artistas locais que ficarão expostas na capital paulista e mais 15 obras que comporão uma mostra itinerante.
Dentre os artistas que decorarão as peças estão Gabriel Gombossy, Alexandra Magrini, Binho Martins, Loro Verz e Luciana Assumpção. Depois, todas as obras serão leiloadas e a arrecadação será entregue a instituições que atuem em educação ambiental e preservação da vida selvagem.


Nas escolas
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Também será desenvolvido um grande projeto com 125 escolas em 11 cidades dos estados de SP, MG, RS e PE que trabalhará educação ambiental e artística com crianças de 7 a 10 anos de escolas públicas municipais. Esses alunos também decorarão 220 esculturas de filhotes de rinocerontes, que serão expostas nestas cidades e depois “adotadas” pelas escolas, onde permanecerão definitivamente.

Por que Rinocerontes?
O impacto que o animal causa aos olhos de quem o observa, as possibilidades que o corpo do rinoceronte oferece aos artistas, para executarem seus trabalhos de maneira livre e criativa, e o fato de ser uma espécie em extinção. São fatores totalmente alinhados à proposta de incentivar e disseminar a arte, além de alertar quanto a preservação das espécies ameaçadas.

Kipupa Malunguinho? O que significa isso !?


"O que significa Kipupa Malunguinho?" - Resposta.
Por Roberto Mariz



V Kipupa Malunguinho 2010. foto de Laila Santana..jpg




Dois Malunguinhos incorporados se confraternizando. Esse é o espírito do Kipupa. V Kipupa Malunguinho 2010. Foto de Laila Santana.

"O que significa Kipupa Malunguinho?"

 "O que significa Kipupa Malunguinho?". Por essa pergunta ser muito frequente, decidi postar esse texto para sanar todas as dúvidas sobre os termos em línguas africanas e sobre esse evento religioso e cultural que acontece em matas fechadas ao som da percussão da Jurema Sagrada. Boa leitura.

Para ser logo direto, Kipupa significa união, agregação de pessoas, associação de indivíduos em prol de algum objetivo. Este termo também dá nome a uma localidade no Parque Nacional De l'Upemba (reserva de floresta tropical), próxima a cidade de Bukama, na antiga província de Katanga ao sul da República Democrática do Congo, no centro-oeste da África, que se formou pela agregação de refugiados da guerra civil para formarem um gigante quilombo de esperança e reconstrução de sua liberdade e identidade.
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Observar no mapa, logo abaixo de Katanga o Lac Upemba, ao sul do país, proximidades do Parque Nacional De l'Upemba.

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Em vermelho a indicação do Google Maps na cidade Kipupa, na extensa área de preservação do Parque Nacional De l'Upemba. 


Malunguinho, vem do vocábulo Malungo que significa camarada, amigo, companheiro de bordo e de lutas. Estas duas palavras são pertencentes ao tronco lingüístico Kimbundo, língua falada em Angola, país de que vieram estes negros guerreiros. Malunguinho é o título dado aos líderes quilombolas pernambucanos que no século XIX fizeram ferver o Estado, em especial em toda Mata Norte, na luta por liberdade, reforma agrária e seus direitos. Este nome também é dado à Divindade patrona do culto da Jurema Sagrada, o Rei Malunguinho, que é caboclo, mestre e trunqueiro (Exú de jurema), tendo função essencial nessa religião de matriz indígena, praticada em especial no nordeste do Brasil.

Kipupa Malunguinho, portanto, significa a agregação de pessoas em torno dessa divindade e personágem da história negra e indígena de Pernambuco. Uma reunião de pensamentos em prol do fortalecimento e reconhecimento para a memória de nossos ancestrais que lutaram por nossa liberdade e pela perpetuação das tradições religiosas que herdamos.

Essa festa nasceu em 2006 do anseio do Quilombo Cultural Malunguinho, e da idéia de Alexandre L'Omi L'Odò (Eu. E quem pesquisou, pensou e deu o nome) e João Monteiro, em "resgatar" e dar visibilidade a nossas lideranças históricas negras/indígenas negadas pela historiografia oficial, a exemplo do líder negro Malunguinho e tantos outros, destacando o papel de Pernambuco nas lutas e resistência negra no Brasil. Determinamos o mês de Setembro para realização anual do evento em homenagem ao último líder do Quilombo do Catucá, o João Batista que teve sua data de morte comprovada a partir de documentos existentes no Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano. Foi em 18 de setembro de 1835, oficialmente informada sua morte.
Também, graças as pesquisas do PhD. historiador Marcus J. M. de Carvalho, em especial ao seu importantíssimo livro e tese "Liberdade, rotinas e rupturas do escravismo - Recife, 1822-1850", publicado em 1998 pela Ed. Universitária da UFPE, que nos inspiramos para a escolha do local onde a festa deveria acontecer - nas matas do Engenho Pitanga II, atual Abreu e Lima, que no passado chamava-se Maricota em PE. Essa localidade foi um dos pontos mais importantes de resistência do Quilombo do Catucá, que se estendia por toda Mata Norte do Estado, chegando até a cidadezinha de Alhandra, hoje na Paraíba. Também, local do assassinato em emboscada cruel desse último líder quilombola. 



A partir da realização do I° Kipupa Malunguinho, ocorrido em setembro de 2006, um calendário permanente para comemorações e homenagens às lideranças negras históricas, foi fundando. A tradição do coco do Catucá, com a integração de diversos sacerdotes e sacerdotisas da Jurema e do candomblé, artistas, pesquisadores, políticos e estudiosos da cultura e das ciências humanas, além da comunidade onde acontece o vento, deu um novo fôlego aos movimentos, articulando inúmeras pessoas para pensar e vivenciar a cultura afro indígena pernambucana, com enfoque na valorização histórica desses personágens e divindades.
Em 2007, nossa articulação, conseguiu aprovar a lei 13.298/07, a Lei Estadual da Vivência e Prática da Cultura Afro Pernambucana, a Lei Malunguinho, idealizada pelo Quilombo Cultural Malunguinho com diversas outras entidades dos movimentos negros e culturais e, apresentada e aprovada pelo Deputado Isaltino Nascimento do PT, que institui no calendário oficial do Estado uma semana para atividades relacionadas à Maluguinho e a cultura que o cerca, em especial a Jurema.
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Zé de Teté e Mestre Galo Preto, cantando juntos coco no V Kipupa Malunguinho, 2010. Foto de Laila Santana.

O coco, como rítmo, música e dança forte em todo o nordeste, e também referência como rítmo sagrado no culto da Jurema, tem papel fundamental em todo esse processo. É o coco que anima a festa, que faz todos celebrar, que ajuda a todas e todos a vivenciar essas memórias e ideologias. 
Assim, o objetivo do evento é manter viva a memória e história, além do imaginário que cerca toda essa cultura, construindo o sentimento de pertencimento e reconhecimento nacional a estes líderes negros e indígenas, através das discussões de temáticas sócios- educacionais,  culturais e religiosas, com a participação de toda comunidade, em especial os mestres e mestras da cultura tradicional e popular, pesquisadores (da academia ou não) e interessados, materializando em matas fechadas do antigo quilombo de Malunguinho uma possibilidade de imersão na experiência do corpo e espírito, através de debate, ritual (liturgia da Jurema) e o grande coco sagrado da mata, com mestres de renome como Mestre Galo Preto, Mestra Eliza do Coco, Mestre Ze de Teté, entre outros que tem na tradição cotidiana o contato com nossas matrizes fundadoras da identidade nacional.
Todo o evento é para homenagear e reconhecer Malunguinho, líder negro que elevou-se à divindade na Jurema Sagrada.
Todo roteiro da festa é feito para poder-se experienciar a vida daqueles negros e negras que ali (matas do engenho Pitanga II- Abreu e lima - Catucá) lutaram, viveram e morreram.Hoje, após seis anos de realização da Festa, o Kipupa virou o encontro nacional dos juremeiros e juremeiras, trazendo gente de diversas partes do país para entrar nas matas sagradas. 
O Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá é uma festa/evento única no gênero. Nele o participante poderá conhecer parte de nossa história que não está nas escolas nem nos livros. Poderá brincar e vivenciar coletivamente a experiência de adentrar nas tradições menos acessíveis ao público, por serem na maioria religiosas/culturais.

O Mito da Jurema Sagrada .

Jurema Sagrada - Cultura Afro-Indígena

Por Roberto Mariz

juremaa0.jpgMuitas dúvidas pairam sobre o culto de Jurema Sagrada. Não se tem muitas informações disponíveis aos que não são iniciados e o tema ainda é pouco estudado.
A Jurema Sagrada é remanescente da tradição religiosa dos índios que habitavam o litoral da Paraíba, Rio Grande do Norte e no Sertão de Pernambuco e dos seus pajés, grandes conhecedores dos mistérios do além, plantas e dos animais. Depois da chegada dos africanos no Brasil, quando estes fugiam dos engenhos onde estavam escravizados, encontravam abrigo nas aldeias indígenas, e através desse contato, os africanos trocavam o que tinham de conhecimento religioso em comum com os índios. Por isso até hoje, os grandes Mestres J conhecidos, são sempre mestiços com sangue índio e negro. Os africanos contribuíram com o seu conhecimento sobre o culto dos mortos egun e das divindades da natureza os orixás voduns e inkices. Os índios, estes contribuíram com o conhecimento de invocações dos espíritos de antigos pajés e dos trabalhos realizados com os encantadosdas matas e dos rios. Daí a jurema se compor de duas grandes linhas de trabalho: a linha dos mestres de jurema e a linha dos encantados. (ver:http://pt.wikipedia.org/wiki/Jurema_sagrada - acessado em 16 de setembro de 2011)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Show Solidário para o Mingau de Cachorro em Recife


Show Solidário para Músico da Banda Mingau de Cachorro  
Por Roberto Mariz
                              

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Movimento Cultural o Morro Desce a Ladeira, da Zona Norte do Recife, está realizando um show para ajudar um músico da banda Mingau de Cachorro que está doente, impossibilitado de trabalhar.

O evento, com diversas atrações, será no dia 17 de setembro de 2011 (sábado), a partir das 14 horas, na quadra da Escola de Samba Galeria do Ritmo (Morro da Conceição - Recife).

Ingresso a R$ 5. Preço único.

A coordenação espera contar com o apoio maciço das pessoas, particularmente dos artistas, nesse ato de solidariedade e companheirismo, divulgando, enviando e-mail, comparecendo, vendendo ingresso.

O  cartaz com a programação completa se encontra em anexo.
Contatos:
Mauricea Santiago
Fone:  (81) 8766-6870

Economia Criativa com muita Cultura .


Economia Criativa
Por Roberto MarizFonte:
 http://www.economiacriativa.com/ec/pt/ec/index.asp



Hoje muito se fala em economia criativa e é muito comum, e lógico, associar o tema a economia da cultura ou fatores de organização e sustentabilidade a partir de bens culturais...criativos. Ou seja, que o objeto da economia criativa se limita a bens culturais.
Ao considerarmos atualmente a realidade de mercado, percebemos vários fatores de competitividade que envolvem desde mão-de-obra barata a avanços tecnológicos que só podem ser superados com muita criatividade, com novos processos, novas tecnologias e novas percepções de mundo. Isto é percebido e é ponto comum a todos que querem sobreviver nesta selva.



Logo, aplicar o conceito de criatividade a gestão e processos empresarias em geral, distingue os que conseguem driblar o emaranhado mundo da competição predatória daqueles que não buscam novas alternativas e aceitam o que está posto pelo mercado. 
Assim sendo, economia criativa tem um papel mais amplo e inclui todos os produtos e serviços relacionados ao conhecimento, a capacidade intelectual e criativa. Ao focar a criatividade, a imaginação e a inovação, não se restringe a produtos, serviços e tecnologias, englobando também processos, modelos de negócios e modelos de gestão, entre outros.O primeiro Fórum Internacional das “Indústrias Criativas”, organizado na cidade de St. Petersburg, na Rússia, em setembro de 2002, definiu como “Indústrias Criativas” “aquelas que têm sua origem na criatividade individual, habilidades e talentos que têm potencial de riqueza e criação de empregos através da geração e da exploração da propriedade intelectual. Assim, “Indústrias Criativas” é o termo utilizado para descrever a atividade empresarial na qual o valor econômico está ligado ao conteúdo cultural. “Indústrias Criativas” une a força tradicional da chamada cultura clássica com o valor agregado do talento empresarial e os novos talentos da mídia eletrônica e da comunicação."Não obstante, a primeira definição foi desenvolvida pelo autor inglês John Howkins no livro “The Creative Economy”, publicado em 2001, segundo a qual as diversas atividades que compõem essa economia têm uma coisa em comum: são os resultados de indivíduos exercitando a sua imaginação e explorando (ou precavendo-se de que outros venham a explorar) seu valor econômico.

“Assim como a moeda de troca das empresas do Século XX eram os seus produtos físicos, a moeda das corporações do Século XXI serão as idéias. A Economia Industrial está rapidamente dando lugar à Economia da Criatividade. Vantagens competitivas desfrutadas por grandes empresas no passado são agora totalmente disponíveis para novas empresas em formação, graças à enorme disponibilidade de capital e ao poder da Internet.Com a globalização ainda num estágio recente, a Internet promete afetar as corporações muito mais nos próximos 20 anos do que foi possível fazê-lo nos últimos 5 anos. Nós não esperamos nada menos do que uma transformação radical dessas organizações num cenário em que a economia global privilegiará a criatividade, a inovação e a velocidade.”Stephen B. Shepard, Editor Chefe de Business Week, 28 de agosto de 2000

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Conferência em Nazaré da Mata (PE) Valoriza a Cultura!

Por Roberto Mariz 


III CONFERÊNCIA DO MOVIMENTO CANAVIALEDUCAÇÃO, CULTURA E ECONOMIA CRIATIVA
A terceira edição da Conferência será realizada em Nazaré da Mata e terá participação da Secretária da Economia Criativa do Ministério da Cultura Cláudia Leitão.


O Movimento Canavial coloca mais uma vez sua rede em movimento e realiza a III Conferência com a presença dos diversos artistas, produtores, pontos de cultura, associações, empresas, sindicatos e gestores.
A Conferência acontece nesse Sábado, dia 03 de setembro entre de 09h00 as 17h00 na Moita do Engenho Santa Fé em Nazaré da Mata.
Uma articulação da Associação Reviva, Pontão de Cultura Canavial, Pontos de Cultura Estrela de Ouro, Coco de Umbigada, Cinema de Animação, Engenho dos Maracatus, Poço Comprido e Cabras de Lampião.
Durante a conferência os participantes do Movimento vão elaborar propostas de projetos e suas prioridades para os próximos dois anos. Esses projetos serão articulados pelo Pontão de Cultura Canavial a única agência do Brasil voltado para Pontos de Cultura e grupos de cultura popular.
Esse ano a conferência terá a presença da Secretária da Economia Criativa do Ministério da Cultura, Cláudia Leitão, do Gerente Regional Nordeste do Ministério da Cultura Fábio Lima e do Diretor de Gestão do Funcultura/Fundarpe Emanoel Soares.
Abrindo os trabalhos da manhã haverá uma palestra com Fábio Lima, Gerente da Regional do Ministério da Cultura com tema “A importância da Gerência do Ministério da Cultura para a política cultural”. Logo após a palestra serão apresentados os resultados dos projetos executados por produtores formados pelo Pontão de Cultura Canavial: “Crianças que Brincam os brinquedos do Canavial” da produtora Noelly Silveira; “Revivendo o Samba” de Thiago Laranjeiras e “Leitura no Ponto” de Wanessa Santos.
Fechando a manhã haverá a definição das propostas elaboradas pelos participantes da Conferência.
À tarde será aberta com apresentação do Projeto “Fábrica Canavial”, por Afonso Oliveira, produtor cultural e coordenador do Pontão de Cultura Canavial. A apresentação do projeto da “Mostra Canavial de Cinema” por Caio Dornelas produtor cultural e coordenador da mostra. Logo em seguida haverá a Palestra “Economia Criativa – Realidades e Desafios” com a Secretária da Economia Criativa do Ministério da Cultura Cláudia Leitão e a palestra “Funcultura e Pontos de Cultura” com Emanoel Soares de Lima, diretor de Gestão do Funcultura/Fundarpe.
O Pontão de Cultura Canavial é uma agência de projetos culturais e articula em rede diversos pontos de cultura e grupos culturais e funciona com sede no Engenho Santa Fé em Nazaré da Mata, com a agência, hotel e restaurante para os grupos e pontos em atendimento. Em três anos de trabalho já aprovou para os participantes mais de 50 projetos em editais públicos e privados, numa soma de mais de 4 milhões de reais. Além da elaboração de projetos realiza uma capacitação profissional em produção cultural, utilizando o Método Canavial, durante 05 meses.
A realização da III Conferência do Movimento Canavial tem o patrocínio do Ministério da Cultura através dos convênios do Pontão de Cultura Canavial, Festival Canavial e do Prêmio Tuxaua concedido ao produtor cultural Afonso Oliveira.
Haverá as apresentações da Ciranda de Timbaúba e Maracatu Estrela de Tracunhém.
P R O G R A M A Ç Ã OCONFERÊNCIA MOVIMENTO CANAVIALEDUCAÇÃO, CULTURA E ECONOMIA CRIATIVA 
Data: 03 de setembro de 2011
Hora: 09:00h as 17:00h
Local: Engenho Santa Fé em Nazaré da Mata-PE
Coordenação dos trabalhos da manhã: Afonso Oliveira – Produtor Cultural09:00h – Abertura: Palestra “A importância da Gerência do Ministério da Cultura para a política cultural” com Fábio Lima – Gerente Regional Nordeste do Ministério da Cultura
09:30h - Apresentação dos resultados do projeto: “Crianças que Brincam os Brinquedos do Canavial” pela Produtora Cultural Noelly Silveira.
09:50h – Apresentação dos resultados do projeto: “Revivendo o Samba” pelo Produtor Cultural Thiago Laranjeiras.
10:10h – Apresentação dos resultados do projeto: “Leitura no Ponto” pela Produtora Cultural e Educadora Wanessa Santos.
10:30h – Palestra “Difusão Cultural nos Mercados Internacionais” com Andréa Ramos Coordenadora de TI e da Editora Associação Reviva.
10:50h às 11:10h – Apresentação de propostas.
11:30h às 12:00h – Aprovação das propostas
12:00h - Apresentação da Ciranda de Timbaúba
12:45h - Almoço 14:00h – Produtor Cultural Afonso Oliveira com a apresentação do projeto “Fábrica Canavial”.
14:30h – Apresentação do projeto “Mostra Canavial de Cinema” com Caio Dornelas – Produtor Cultural e Coordenador do Projeto.
15:00h – Palestra “Economia Criativa – Realidades e Desafios” com Secretaria da Economia Criativa do Ministério da Cultura Cláudia Leitão
15:40h as 16:00h - Debates
16:00h – Palestra “Funcultura e Pontos de Cultura” com o Diretor de Gestão do Funcultura/Fundarpe Emanuel Soares de Lima.
16:40h as 17:00h - Debates
17:00h – Final Apresentação: Maracatu Estrela de Tracunhaém 
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Roberto Azoubel,Assessor I Ministério da CulturaRepresentação Regional Nordeste I RRNERua do Bom Jesus, 237 I Bairro do RecifeCEP: 50030-170 I Recife - PE
(81) 31178444 / (81) 97293757

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Uma Cultura de Muitas Faces em Nosso Brasil !


Por: Roberto Mariz

Cultura Cotidiana 








Tenho a pele branca, assim como minha mãe, meu pai é mulato e pelo que vejo a minha avó (mãe de meu pai) lembra uma índia e meu avô, apesar da pele parda, tinha marcada na face sua negritude – Sou Brasileiro.
Lembro como se fosse hoje, quando vi pela primeira vez um Maracatu, lá no bairro de Casa Amarela onde nasci, na zona norte Recife, confesso que tive vontade de sair correndo tamanho o estrondo daqueles tambores, mas logo percebi que tinha algo naquele aglomerado de gente a dançar e naquela música que mexia no fundo da minha alma, vi que aquilo era parte de minha história, me identificava.

Com o passar do tempo outras faces de minha formação cultural revelou-se naquilo que eu comia, no que vestia, nos casarios, na forma de me expressar e para quem eu dedicava minhas orações.

Esse conjunto de informações se funde para formar nossa identidade nacional, brasileira. Num mundo globalizado cada vez é mais importante termos consciência do que nos diferencia enquanto nação e nos une como cidadãos do mundo.



NÓS SOMOS O MUNDO
WE ARE THE WORLD





terça-feira, 30 de agosto de 2011

O folguedo do Coco - Cultura Pernambucana !

Por: Roberto Mariz
Fonte: FUNDAJ / Wikipédia / Ponto de Cultura Farol da Vila do Coco



O Folguedo do Coco




Não existe uma unanimidade sobre qual o estado nordestino onde teria surgido o Coco, ficando Alagoas, Paraíba e Pernambuco como os prováveis donos do folguedo. Porém ele aparece com suas variações em quase todo o norte e nordeste, no litoral e no sertão.

Alguns pesquisadores, afirmam que o nome Coco teve origem no canto dos tiradores de coco, e que só depois se transformou em ritmo dançado, Outros dizem que o nome coco significa cabeça de onde vêm as letras das cantorias, muitas delas cantadas de improviso.
                                           
O Coco sofre influência africana e indígena. É uma dança de roda que de modo geral é acompanhada de cantorias onde os bailarinos executam um sapateado marcado, respondem o coco, trocam umbigadas entre si e com os pares vizinhos e batem palmas marcando o ritmo.

Suas variações são; coco-de-roda, coco-de-praia, coco-de-umbigada, coco-de-embolada, coco-do-sertão.
De modo geral os instrumentos utilizados no coco-de-roda são: ganzá, surdo (bombo ou alfaia), pandeiro e na marcado pelo repique dos tamancos no sapateado da dança. Na versão mais afro além dessa composição, utilizam-se atabaques (rum, rumpi e lé – grave/médio/agudo) e não se utiliza os tamancos. Na versão embolada, prevalece o pandeiro e o canto de improviso. 
Bandeiro                                                                               Ganzá                    Alfaia 
Alguns Artistas e Grupos de Pernambuco: Selma do Coco, Zeca do Rolete, Mestre Goitá Goitá, Mestre Ferrugem, Mestre Dié, Aurinha do Coco, Dona Cila, Dona Ana Lúcia, Coco do Pneu, Coco de Umbigada de Beth de Oxum, Dona Veia, Zezinho Valério, Zé Grandão, Coco Chinelo de Iaiá, Coco Raízes de Arcoverde, Coco do Amaro Branco, Grupo Fethxa (indígena de Águas Belas/PE) Coco Bongar, Caju e Castanha, Jacson do Pandeiro entre outros. Sim! Beberam na fonte Chico Sciense (Coco Dub – faixa 14 do CD Da Lama ao Caos), Alceu Valença, Silvério Pessoa, Lenine e outros.


Selma do Coco
Você pode curtir o coco-de-roda em vários locais, recomendo dois em Olinda:
Coco do Pneu - Amaro Branco Olinda – Último sábado de cada mês
Coco de Umbigada – Beco da Macaíba – Guadalupe/Olinda –Primeiro sábado de cada Mês

Veja na internet:
http://cocodepontezinha.blogspot.com/ - Ponto de Cultura Farol da Vila do Coco em Pontezinha – Cabo de Santo Agostinho/PE
http://sambadadecoco.blogspot.com/ - Ponto de Cultura Cococ-de-Umbigada – Olinda/PE
http://www.myspace.com/grupobongar - Grupo Bongar - Nação Xambá – Olinda/PE