Pesquisar neste Blog

Mostrando postagens com marcador Casa da Cultura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Casa da Cultura. Mostrar todas as postagens

domingo, 18 de março de 2012

Criaticidades

Por Roberto Mariz

Para o Departamento de Cultura, Mídia e Esporte do Governo Britânico (2006), indústria criativa é aquela indústria que tem origem na criatividade, habilidade e talento individual e que tem um potencial de crescimento econômico e de criação de empregos através da exploração da propriedade intelectual.
A expressão indústria criativa é relativamente nova (JAGUARIBE, 2004). Este termo surgiu na Inglaterra como objeto de política pública no final dos anos 90, no contexto das novas ações implantadas em decorrência da ascensão do “New Labour” de Tony Blair (COSTA, 2005).


O termo, inserido no contexto do processo industrial, tem como elementos fundamentais a criatividade e a possibilidade de exploração via direitos intelectuais.  De acordo com Ana Jaguaribe (2004), “as indústrias criativas representam um  conjunto de atividades econômicas emergente, que ultrapassa os limites tradicionais entre a produção e o consumo. As atividades econômicas que compõem o núcleo das indústrias criativas não são, por si mesmas, novas. O desenho arquitetônico, a moda, a publicidade, a produção áudio-visual e a música são todas atividades associadas à primeira revolução industrial que adquiriram, no entanto, uma dimensão econômica e social totalmente nova com a globalização e o surgimento da sociedade da informação”.


Assim, as indústrias criativas envolvem o intercâmbio de serviços e produtos, sendo que elas adquirem valor econômico por meio de sua distribuição.  O conjunto de atividades que compreendem as indústrias criativas abrange um número bastante amplo, incluindo: a publicidade, o desenho arquitetônico, o vídeo, a cinematografia, a fotografia, a música, os jogos de computador, a publicação eletrônica, a rádio, a televisão e a moda. Apesar de não estarem interrelacionadas no sentido tradicional de um setor industrial unificado, “estas atividades econômicas têm em comum o fato de todas  estarem centradas na produção de textos, imagens e símbolos” (JAGUARIBE, 2004).

A partir desta semana, Cultura e Mercado vai publicar algumas pílulas do Criaticidades, projeto que mostra como a Economia Criativa pode contribuir para o desenvolvimento sócio-econômico das cidades brasileiras.

Para começar, Anamaria Wills, proprietária da Agência de Desenvolvimento das Indústrias Criativas, do Reino Unido, fala um pouco do surgimento dessa indústria e sua importância não apenas econômica, mas também social.


http://www.culturaemercado.com.br/tvcem/industrias-criativas/ acessado em  quarta-feira, 14 março 2012

terça-feira, 13 de março de 2012

A Detenção da Cultura

Por Roberto Mariz

Em 1848, o governo da província de Pernambuco resolveu construir uma nova cadeia no Recife. As obras iniciadas em 1850 se basearam no projeto do engenheiro Mamede Alves Ferreira – que ocupava cargo na Secretaria de Obras Públicas de Pernambuco, idealizador de mais dois prédio históricos tombados: o Ginásio Pernambuco, recentemente reformado, e o Hospital Pedro II, cuja revitalização acaba de ser iniciada.

A nova Casa de Detenção do Recife, com 8400 m² de área construída e 6000 m² de pátio externo terminou de ser construída em 1867. Sua construção apresenta o formato de cruz, e é composto por quatro raios correspondentes aos pontos cardeais (Norte, Sul, Leste, Oeste), todos com três pavimentos, que confluem para um saguão central, coberto por uma cúpula metálica – o Mirante.
Cravado no centro do Recife, o prédio, tombado pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (FUNDARPE) em 1980, funcionou como penitenciária durante 118 anos. Curiosamente, conta-se que naquela época não havia tanto temor em relação aos presos, que, pela centralidade em que se encontrava o presídio, participavam ativamente do cotidiano da cidade através de um trabalho social de reintegração. Havia uma preocupação com a inserção da instituição na vida social do bairro e até da cidade, inclusive conta-se que o melhor pão da região era aquele produzido pelas mãos dos detentos na panificadora do presídio. E os pentes de chifre e as coleções de jogo de botão fabricados ali tinham fama pela sua qualidade. Além disso, o primeiro estandarte do Clube Carnavalesco Vassourinhas, foi bordado também dentro do presídio. Tudo isso sem falar que os detentos ainda formavam times de futebol e tinham uma biblioteca à sua disposição.
O prédio também serviu de cárcere aos presos políticos do golpe militar de 1964, presos importantes da resistência estiveram na Casa de Detenção como Gregório Bezerra (político, líder comunista e ex-sargento do exército brasileiro), Dom Basílio Penido (abade do mosteiro de São Bento), Antonio Silvino, Paulo Cavalcanti, Graciliano Ramos entre outros.

A ideia de transformar a antiga Casa de Detenção de Recife na Casa da Cultura foi do artista plástico Francisco Brennand , na época em que exerceu o Chefia da Casa Civil, no primeiro governo de Miguel Arraes , entre outubro de 1963 até às vésperas do golpe militar de 1964. Ele queria criar em Pernambuco uma instituição similar aos centros de educação nas áreas de literatura, teatro, música e artes plásticas, que estavam sendo criadas na França pelo escritor André Malraux. Isto se torna realidade três anos após o fechamento da Casa de Detenção (1973), em 14 de abril de 1976 quando foi inaugurada a Casa da Cultura.

Hoje, a Casa da Cultura é visita obrigatória de todos os turistas que chegam ao Estado. E ao chegarem à Casa ficam deslumbrados com a variedade imensa do artesanato que vem de mais de 149 municípios.




As antigas celas foram transformadas em 150 lojas de artesanato, livrarias e lanchonetes – apenas uma, no raio leste, permanece exatamente como foi deixada pelos presos - e o pátio externo além de ter sido transformado em uma área para shows e manifestações populares e folclóricas também possui uma praça de alimentação a qual oferece as iguarias típicas da região: pamonha, canjica, tapioca, acarajé, água de coco, entre outras. A cultura gastronômica ainda tem seu espaço em um restaurante no raio sul que serve os principais pratos da culinária local: charque, arrumadinho, buchada, entre outros.



As suas antigas celas além de lojas artesanais também abrigam a única livraria especializada em livros de Pernambuco, Cybercafé, sala de pesquisa e cursos diversos, Teatro, Concha Acústica e Anfiteatro externo, além do Museu do Frevo e ainda várias entidades culturais como o Balé Popular do Recife, a Associação dos Lojistas da Casa da Cultura, Federação de Teatro de Pernambuco, Associação de Capoeira, entre outras, têm suas sedes instaladas na Casa. Muita gente que trabalha no centro e mora por perto visita a Casa no horário de almoço para relaxar aproveitando o ambiente agradável e fazer amizades... é nossa fortaleza da cultura.