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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Carnaval e Cultura X Heresia Gospel !

Por Roberto Mariz

Não sou nenhum herege, mas tem questões que não me entram no juízo. Vinha eu no carro, quando ouvi na CBN uma entrevista com Márcia Souto, Secretária de Cultura de Olinda, falando sobre o pólo Gospel em Olinda classificando esse espaço como mais uma ação cultural da prefeitura. De modo geral, a religião faz parte do costume e modo de vida de um povo. Logo, pode ser classificada como cultura – certo. Certo! Para mim, religião ainda é uma escolha pessoal.


Outra, não podemos esquecer que a nossa cultura de tradição (índia/negra/branca) expressa nas manifestações culturais, em grande parte se sustentam pela tradição oral, passada de pai para filho. Nas suas canções, mitos, danças e ritmos, ressaltam a realidade atual e histórica de comunidades e segmentos/grupos etno-culturais, valorizando a ancestralidade e reforçando o sentimento de pertencimento e referência cidadã.


Outro ponto, é que a cultura de tradição já sofre influência da grande mídia e se sente tentada pelo mercado a abandonar suas raízes e se deixar embalar em um pacote padronizado para o mercado. Por isso justifica receber atenção especial e recursos do governo, que reconhece a cultura de tradição como patrimônio nacional e que nos faz ter orgulho de ser brasileiro.
O que me deixou alerta? É que se deu a entender que o pólo gospel recebeu recursos da cultura.... que na prática será usado para combater a cultura. Que lógica é esta? É válido que continuem a realizar suas missões de evangelização em suas igrejas, nas ruas ou onde quiserem, mas com seus próprios recursos e respeitando também o direito de outras religiões de fazerem o mesmo.
Sendo que o carnaval é o ápice das manifestações culturais tão combatidas pelos Gospel’s. Por isso, ter um pólo gospel de carnaval financiado com recursos da cultura é uma verdadeira heresia.
Atenção!!! O que parece inocente e bem intencionado, pode terminar resumindo nossa cultura a uma grande festa de Halloween... nada mais americano – não achas?



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